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Varanda ruiu no Bairro de S. Roque

Eduarda Vasconcelos, O Primeiro de Janeiro [2007-07-20]

“Podia ter morrido alguém!”. A queda da varanda de uma habitação no Bairro de S. Roque da Lameira, em Campanhã, pregou um valente susto aos moradores, mas ninguém saiu ferido do incidente. O bairro está muito degradado e em outros locais apresenta risco d

A varanda de uma casa do terceiro e último andar de um dos blocos habitacionais do Bairro de S. Roque da Lameira, em Campanhã, ruiu ao final da noite de anteontem, pouco passava das 23 horas. O incidente não provocou qualquer ferido, mas a população não ganhou para o assusto. “Podia ter morrido alguém! Dez minutos antes da varanda ruir tinha estado gente ali em baixo. Foi uma sorte não terem levado com este cimento todo em cima”, contou ao JANEIRO um dos moradores do Bairro de S. Roque, de nome Alfredo. Os bocados de cimento que integravam a estrutura que caiu estatelaram-se no rés-do-chão do prédio, danificando os vidros de uma marquise do primeiro andar e uma cobertura exterior da casa do rés-do-chão. O morador deste fogo explicou ter-se apercebido da queda da varanda porque “o estrondo parecia o de uma bomba”. “Geralmente no Verão costumo estar aqui fora. Sento-me com outras pessoas numas cadeiras a apanhar um bocado de ar. Ontem, por acaso, não estava porque o tempo encontrava-se fresco”, relatou, assegurando que, caso contrário, podia ter acontecido uma tragédia. Pegando num dos pedaços de cimento para atestar o perigo, o morador sublinhou que deveria pesar “aí uns cinco quilos”: “Este peso matava alguém, era limpinho e a esta hora estava na morgue”, considerou. Este morador referiu ainda temer pelos seus netos que de vez em quando o visitam e brincam na zona onde caíram os destroços e acusou a Câmara do Porto de não cuidar do bairro, cujos edifícios têm partes em risco de ruir.

“Foi um cabo que se desprendeu”
Os Bombeiros Portuenses foram chamados ao local, onde procederam à sua sinalização com uma fita. Fonte desta corporação disse ao JANEIRO que os restos da varanda que ficaram agarrados à estrutura do prédio foram igualmente removidos. “Disseram-nos que podíamos estar tranquilos, que não havia problemas”, complementou o habitante do rés-do-chão. Entretanto, o morador de nome Alfredo acima citado frisou que ontem de manhã, às 8h30, tinha ido dar conta do sucedido à Câmara do Porto, mas à hora do almoço, altura em que o JANEIRO esteve no local, ainda nenhum elemento da edilidade se havia deslocado ao bairro. “Ficaram de vir e disseram-me que o caso era urgente, mas até agora não apareceram”, criticou.
Ao final da tarde, fonte do gabinete de imprensa da autarquia portuense assegurou ao JANEIRO que “não caiu nenhuma varanda”. “Foi um cabo de betão que se desprendeu, mas que já foi reparado e está tudo em segurança”, afirmou.

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Junta critica falta de obras. Câmara garante empreitada em Outubro
O incidente de ontem fez renascer nos moradores e no presidente da Junta de Campanhã reivindicações antigas pela requalificação do complexo, um dos mais antigos da cidade e também dos mais degradados. “Todos os dias vão caindo bocados dos blocos habitacionais deste bairro”, reclamou, em declarações ao JANEIRO, o autarca local. Fernando Amaral considerou ainda que a queda da varanda ocorrida anteontem “é o culminar de uma situação de perigo iminente que se vive há muito naquele bairro”, onde os mais de 20 blocos se encontram “muito degradados”. O edil garante que por diversas vezes, em sessões da Assembleia Municipal, chamou a atenção do executivo para os riscos de ruína, mas “até hoje nada foi feito”. Agora mais do que nunca, diz, “é precisa uma análise imediata da situação em que se encontra o Bairro de S. Roque e uma intervenção rápida”.
O Bairro de S. Roque da Lameira chegou a ter montados os andaimes para o arranque de uma empreitada de arranjo das fachadas. Por alturas das autárquicas de 2005, o presidente da Câmara, Rui Rio, foi ao local, mas os moradores receberam mal o edil social-democrata exigindo que as obras se estendessem ao interior das casas. “As pessoas reclamaram arranjos mais profundos e rejeitaram as obras de fachada que a autarquia ali pretendia fazer”, recorda Fernando Amaral, reportando que, entretanto, os andaimes foram retirados e até hoje nenhuma obra ali foi executada.
Fonte da Câmara do Porto adiantou ao nosso jornal que está neste momento a decorrer o concurso público para a realização da empreitada, prevendo a edilidade arrancar com as obras já no próximo mês de Outubro.

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