E começou a semana mais esperada pelos estudantes universitários do Porto. A Queima das Fitas começou, anteontem, passava um minuto da meia-noite, com a monumental serenata na antiga Cadeia da Relação. Ontem de manhã, nem mesmo a chuva afastou os milhares de estudantes que esperavam que o bispo do Porto abençoasse as pastas, cerimónia realizada pela primeira vez na Avenida dos Aliados.
"Momento único para quem vive esta etapa académica", afirmava Ivo Dias, veterano da ESE (Escola Superior de Educação), no curso de Educação Física, anteontem à noite. "Estou à espera da quinta badalada porque é uma música que nos faz reviver momentos passados, recorda as grandes amizades que vivemos na praxe", acrescenta. "É um dos momentos preferidos da Queima. A serenata é importante", diz Cristiana Guedes, estudante do Ensino Básico, 1º Ciclo. Com os primeiros acordes, começou oficialmente a semana da Queima. O átrio da antiga Cadeia de Relação e os jardins de Cordoaria estavam repletos de gente, não só de milhares de universitários, a maioria trajados, mas também de familiares e curiosos.
Maria Augusta veio com a filha Andreia "Já que tenho aqui os filhos, venho sempre. A festa é deles, não é nossa, somos só curiosos. As pessoas vêm pelo fado, porque eles cantam muito bem". Andreia vem pela tradição, "pelo sentimento tanto para caloiros como para quem vai cartolar". Sentimento "difícil de explicar".
Já ontem, enquanto a chuva teimava em cair, as fitas, erguidas no ar, davam colorido à cerimónia. Pais, avós, tios, todos quiseram subir a Avenida dos Aliados para assistir à missa da Bênção das Pastas.Nem mesmo o tempo incerto os afastou.É um dia especial. Uns vêm de perto. Outros percorreram quilómetros. Mas todos com o mesmo sentimento. Orgulho. Alegria. Na estação de S.Bento, bem perto do centro das comemorações, muitos esperam por familiares.
Rosa Santos é mãe de uma finalista. Veio de Oliveira de Azeméis com o marido e a madrinha da filha. A restante família mandou mensagens. "Sinto muito orgulho. Hoje é um dia especial", conta emocionada. Muitos escondem-se, tentando abrigar-se. No entanto, são poucos os que viram costas ao altar e aos milhares de estudantes, que mesmo de capa encharcada, têm a boa-disposição estampada no rosto.
Encontram-se pessoas de todo o país. Cada uma delas com histórias diferentes mas que se completam. Os ramos com a cor do curso para oferecer, as lágrimas de emoção e o nervosismo são características comum.
Foram anos de estudo e contratempos para os estudantes. Uma caminhada que culmina na missa da bênção. Mais, ou menos expressivos, todos demonstram o que sentem. Todos se juntam em plena avenida porque dias assim não se repetem.