Um mar de gente rumou ontem ao centro de Espinho para ver a nova estação. Centenas de pessoas enchiam a plataforma subterrânea, admirando aquela que é considerada pelo presidente da câmara como “a obra do século”, não deixando de dar a sua opinião. “Para aquilo que era está muito melhor. Só o facto de não termos de atravessar a linha a pé já é muito importante”, disse ao JANEIRO José Almeida, que ontem foi com a esposa ver a mais recente atracção de Espinho. Já Adriana Pinho – amiga do casal Almeida e residente em Santa Maria da Feira –, também gostou do que viu, mas apontou algumas falhas à construção. “Para o dinheiro que foi gasto a linha devia ser subterrânea desde Paramos até Gaia”, afirmou, salientando que também naquela freguesia se vive o mesmo problema do centro da cidade: a linha divide a população. Por outro lado, o seu marido levantou algumas dúvidas quanto à proximidade com o mar. “Pelo que sei existem muitos poços de água por baixo do caminho-de-ferro e, dada a proximidade com o mar a constante subida da linha de água, espero que isto não corra nenhum risco”, advertiu.
Sacrifício recompensado
Para além dos moradores, os comerciantes foram quem mais sofreu com as obras. António Teixeira, proprietário do restaurante Taiti, que fica mesmo em frente à nova estação, recordou que durante três anos e meio teve de lidar com as obras e com as várias limitações impostas. “Fizemos um grande sacrifício, mas espero que a partir de agora possamos ser recompensados”, disse, salientando, sobretudo, a mais-valia que a nova estação representa para Espinho. “Acima de tudo temos uma cidade unificada, sem barreiras arquitectónicas”, afirmou.
O empresário realçou ainda a importância que o presidente da câmara teve em todo este processo, porque “se não fosse a persistência de José Mota este projecto iria mais uma vez para a gaveta”. No entanto, António Teixeira apontou o dedo aos “verdadeiros mamarrachos” que ficam mesmo no centro da Avenida 8. “Estes tubos metálicos são uma aberração, disseram-me que são saídas de emergência de ar, mas quando estão a funcionar fazem imenso barulho. Aliás, nem sei como é que isto é possível. À noite quando algum café ou bar funciona até mais tarde e faz algum barulho os moradores queixam-se logo, não sei como é que vai ser quando isto funcionar”, alertou.
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Satisfação
Obra esperada
há anos
A Estação de Espinho estava ontem a funcionar a meio gás, só hoje as duas linhas de caminho-de-ferro estarão operacionais. Os curiosos que ontem aproveitaram o bom tempo para dar uma espreitadela à estação mostraram-se satisfeitos com o resultado final. “Esta é uma obra esperada há anos, só peca por tardia”, disse ainda o dono do Taiti. Também José Araújo, que acompanhou o dia-a-dia da empreitada, gostou do que viu. “Do que via do exterior não dava para ter uma ideia de como ia ficar isto cá em baixo, mas estou satisfeito. A estação é bonita só é pena ter sido agora construída porque há muito tempo que os espinhenses mereciam”, disse este são-joanense de 78 anos.