A pista de aviação, usada pelos pequenos aparelhos da prova Red Bull Air Race no Porto, foi cortada a meio. Os proprietários do terreno (contíguo ao Parque da Cidade) onde foi asfaltada parte da pista decidiram vedá-lo.
A decisão foi tomada recentemente pelo consórcio das empresas Médio e Longo Prazo, Préstimo e Jardins de França - donos da propriedade com 24801 metros quadrados que nunca foi expropriada - face à constante ocupação abusiva do espaço pelos automobilistas perante a passividade da Câmara portuense. No entanto, o Município afiança que tinha a intenção de vedar a parcela, mas as empresas anteciparam-se.
De acordo com o Gabinete de Comunicação da Autarquia, a Direcção Municipal de Via Pública detectou a ocupação ilegal e assegura ter decidido, em articulação com o consórcio, impedir o acesso à pista. Fonte das empresas garantem que a decisão foi tomada pelo consórcio sem contacto prévio com o Município.
Depois de ter servido em Setembro passado para os velozes aviões descolarem rumo ao rio Douro, a Autarquia retirou as vedações que tinha instalado durante a prova, mantendo apenas o Queimódromo (a parte da pista que lhe pertence) murado.
Rapidamente, os condutores encontraram uma nova utilidade ao terreno privado: converteu-se em parque de estacionamento gratuito. O acesso à parcela já foi cortado no último fim-de-semana e, ontem à tarde, os trabalhadores estavam a colocar as redes que dividem a meio a pista.
Fonte do consórcio explica, ao JN, que a decisão visa pôr fim à ocupação abusiva. "O terreno deveria estar à guarda da Câmara do Porto, que deixou que passasse a ser um parque de estacionamento. O terreno é privado, assim como parte da propriedade em que foram construídos o viaduto e o Edifício Transparente, mas esses não vamos vedar", indica ainda.
Assim, as corridas dos aviões, agendadas para 6 e 7 de Setembro próximo, ficam sem pista. Se a Autarquia portuense quiser reutilizar o espaço, terá de pedir a autorização das empresas, como fez em 2007. "A nossa abertura é total sem prejuízo de preservarmos os nossos interesses", continua. Porém, a Câmara acredita que a vedação de metade da pista não inviabilizará a realização de iniciativas futuras no local.
No ano passado, o Município pediu, por escrito, para construir a pista no terreno das empresas por um ano. Foi dado o aval sob a condição de que a Câmara devolveria a parcela após o festival. Posteriormente, o consórcio ficou a saber pela Comunicação Social que a prova aérea se realizará este ano e no próximo. Da parte da Autarquia, manteve-se o silêncio. Não foi feita a devolução formal da propriedade nem dada qualquer informação sobre a vontade camarária de usá-la no futuro.