Com 21 anos e a viver na Maia, Marta não estava à espera de ser seleccionada para a final deste prestigiante concurso italiano, que anualmente tem lugar em Gorizia e conta com diversas personalidades da moda como membros do júri, entre os quais representantes da Levi’s, Benetton, Furla e até John Galliano.
A concurso leva uma colecção inspirada em tatuagens e na lenda da carpa, que diz que há um peixe que luta para subir um rio e assim que alcança o seu objectivo, chegar à cachoeira Langmen, transformar-se em dragão.
Por causa desta lenda, a carpa transformou-se num símbolo de sucesso de vida, e Marta procura também o êxito no competitivo mundo da moda.
Em declarações à Lusa, a jovem criadora, que terminou o curso com média de 18 valores, disse que com esta sua colecção tentou fazer um paralelo entre as tatuagens, “marcas definitivas no corpo que não deixam de ser um ritual” e a roupa. “Foi tentar passar as tatuagens para a roupa”, explicou.
Para isso, Marta utiliza bordados que se encaixam no corpo, sobre a roupa, “à semelhança de tatuagens”, e depois “começa a introduzir o uso da cor”, que vai progredindo e marcando uma silhueta nas suas criações.
Marta usa cores como o castanho e o bronze e só introduziu pormenores de outras cores menos pardas nos últimos coordenados, como o azul, que também está relacionado com o “fluir, o ondular” da carpa na água do rio.
Revistas de moda, de fotografia, de viagens e de cultura, bem como as publicações de jornais diários e semanários, estão na base do seu estudo para esta criação, que, em 12 e 13 de Setembro, estará lado a lado em busca de um dos prémios com outras 24, de estudantes de moda de todo o mundo, como Austrália, Bélgica, Espanha, Israel, Japão, Itália, Irlanda e Eslovénia, entre outros países.
A arte surgiu “desde cedo” na sua vida, afirmando que “houve definitivamente sempre apetência para a área”, tornando-se mais direccionada para a moda no 10.º ano de escolaridade. Marta confessou estar “bastante nervosa” com esta final do Mittelmoda. “É o sentir que estou numa escala onde numa estive e saber que não há hipótese de falhar”, disse, confidenciando que mais do que alcançar qualquer um dos prémios, já ganha muito ao marcar presença em Itália. “Vou dar o meu melhor para conseguir impressionar outros com uma bagagem enorme, não posso falhar”, afirmou. Instintivamente respondeu que se vencer um dos prémios pretende “investir no desenvolvimento de nova colecção, expandir o trabalho”.