Foi mais uma noite de sobressalto para as populações ribeirinhas do Porto e de Gaia, de olhos postos no Douro até cerca das 4 horas. Só então se percebeu que a preia-mar não iria fazer o rio galgar as margens. Ontem de manhã, foi tempo de limpezas e arrumações.
Passavam alguns minutos das 13 horas de domingo e as águas do Douro chegaram primeiro, como sempre, a Miragaia. O fenómeno já não desperta curiosidade em Adelaide Rocha, nascida e criada naquela freguesia há 53 anos, mas, desde que explora um pequeno café, não tem sossego.Foi mais uma noite de sobressalto para as populações ribeirinhas do Porto e de Gaia, de olhos postos no Douro até cerca das 4 horas. Só então se percebeu que a preia-mar não iria fazer o rio galgar as margens. Ontem de manhã, foi tempo de limpezas e arrumações.
Passavam alguns minutos das 13 horas de domingo e as águas do Douro chegaram primeiro, como sempre, a Miragaia. O fenómeno já não desperta curiosidade em Adelaide Rocha, nascida e criada naquela freguesia há 53 anos, mas, desde que explora um pequeno café, não tem sossego.
"Avisaram-me no domingo cerca do meio-dia. Tive de chamar toda a família e, mesmo assim, andámos a tirar coisas com água pelos joelhos. A água escoou à noite, mas ficámos todos acordados até às 4 horas, pois avisaram-nos de que o rio poderia subir outra vez com a preia-mar. Agora estou para aqui a limpar, sem a ajuda de ninguém, a ver se consigo ligar a máquina de café e fazer algum dinheiro que isto está mau", afirmou a comerciante.
"Tirámos tudo"
No outro lado do rio, no bar da sede dos Mareantes do Rio Douro, na marginal de Gaia, Jorge Vieira repunha nas prateleiras os artigos que, no dia anterior, tinha posto a bom recato.
"Anteontem, não tivemos problemas. A água andou na rua, mas não entrou. Avisaram-nos da possibilidade de uma cheia ainda maior durante a madrugada de hoje [ontem] e tirámos tudo o que a água podia estragar. Estivemos aqui até às 4 horas. Felizmente, não se passou nada", referiu.
Na Afurada, onde o rio também galgou a margem, cobrindo a rua com alguns centímetros de água, a madrugada foi tranquila.
"Ontem [anteontem], a água andou resvés. Mas nós costumamos tirar a medida ao rio por aquelas pedras do outro lado [Porto]. Não estavam tapadas e, por isso, o rio não iria subir muito mais. Por outro lado, o mar não estava muito agitado e com os novos molhes a barra está mais larga e aceita mais água do rio. Antigamente, as cheias levavam tudo à frente e ainda me lembro de ver barcos a flutuarem no centro da vila", recordou Francisco Peres.
Ontem, apesar do caudal do rio estar estabilizado, havia quem alertasse para o facto das indemnizações relativas às cheias de 2001 e 2006 ainda não terem sido pagas.
"O clima está a mudar e estes fenómenos estão a tornar-se mais frequentes. O Estado tem de tomar providências, que podem passar pela criação de um consórcio de diversas entidades ou de um fundo de garantia. Note-se que as cheias de 2001 causaram prejuízos de 200 mil euros. É pouco mais que um automóvel topo de gama, mas nem isso pagam", protestou António Fonseca, da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto.
"Avisaram-me no domingo cerca do meio-dia. Tive de chamar toda a família e, mesmo assim, andámos a tirar coisas com água pelos joelhos. A água escoou à noite, mas ficámos todos acordados até às 4 horas, pois avisaram-nos de que o rio poderia subir outra vez com a preia-mar. Agora estou para aqui a limpar, sem a ajuda de ninguém, a ver se consigo ligar a máquina de café e fazer algum dinheiro que isto está mau", afirmou a comerciante.
"Tirámos tudo"
No outro lado do rio, no bar da sede dos Mareantes do Rio Douro, na marginal de Gaia, Jorge Vieira repunha nas prateleiras os artigos que, no dia anterior, tinha posto a bom recato.
"Anteontem, não tivemos problemas. A água andou na rua, mas não entrou. Avisaram-nos da possibilidade de uma cheia ainda maior durante a madrugada de hoje [ontem] e tirámos tudo o que a água podia estragar. Estivemos aqui até às 4 horas. Felizmente, não se passou nada", referiu.
Na Afurada, onde o rio também galgou a margem, cobrindo a rua com alguns centímetros de água, a madrugada foi tranquila.
"Ontem [anteontem], a água andou resvés. Mas nós costumamos tirar a medida ao rio por aquelas pedras do outro lado [Porto]. Não estavam tapadas e, por isso, o rio não iria subir muito mais. Por outro lado, o mar não estava muito agitado e com os novos molhes a barra está mais larga e aceita mais água do rio. Antigamente, as cheias levavam tudo à frente e ainda me lembro de ver barcos a flutuarem no centro da vila", recordou Francisco Peres.
Ontem, apesar do caudal do rio estar estabilizado, havia quem alertasse para o facto das indemnizações relativas às cheias de 2001 e 2006 ainda não terem sido pagas.
"O clima está a mudar e estes fenómenos estão a tornar-se mais frequentes. O Estado tem de tomar providências, que podem passar pela criação de um consórcio de diversas entidades ou de um fundo de garantia. Note-se que as cheias de 2001 causaram prejuízos de 200 mil euros. É pouco mais que um automóvel topo de gama, mas nem isso pagam", protestou António Fonseca, da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto.