Mais de 20 contas bancárias sem controlo, financiamento duvidoso, dívida à Segurança Social, custos sem explicação - uma auditoria revelou diversos problemas na gestão da Associação dos Comerciantes do Porto, que vive uma situação financeira "difícil".
A análise realizada pela AGS Consulting, que se reporta ao período entre 2006 e 2008, durante a presidência de Laura Rodrigues, revela que foi apresentada uma candidatura para a realização de 52 810 horas de formação, mas que apenas terão sido concretizadas 406 horas. As verbas poderiam servir, então, para financiamento corrente da instituição, admite o novo presidente da Associação de Comerciantes. Foi Nuno Camilo, eleito em Maio do ano passado, quem solicitou a auditoria, para conhecer, a fundo, a realidade financeira daquele organismo. "É preocupante", sublinhou, ao JN, depois de conhecer os resultados da análise às contas e de saber, através dessa avaliação, que até tinha sido pedido um empréstimo a uma associação de comerciantes de um concelho dMais de 20 contas bancárias sem controlo, financiamento duvidoso, dívida à Segurança Social, custos sem explicação - uma auditoria revelou diversos problemas na gestão da Associação dos Comerciantes do Porto, que vive uma situação financeira "difícil".
A análise realizada pela AGS Consulting, que se reporta ao período entre 2006 e 2008, durante a presidência de Laura Rodrigues, revela que foi apresentada uma candidatura para a realização de 52 810 horas de formação, mas que apenas terão sido concretizadas 406 horas. As verbas poderiam servir, então, para financiamento corrente da instituição, admite o novo presidente da Associação de Comerciantes. Foi Nuno Camilo, eleito em Maio do ano passado, quem solicitou a auditoria, para conhecer, a fundo, a realidade financeira daquele organismo. "É preocupante", sublinhou, ao JN, depois de conhecer os resultados da análise às contas e de saber, através dessa avaliação, que até tinha sido pedido um empréstimo a uma associação de comerciantes de um concelho do Norte do país.
"Gestão imprudente"
Os resultados apontam para uma falta de controlo generalizada: não havia, sequer, um inventário dos bens - "numa situação limite, a perda de bens não pode ser identificada" - e o próprio registo dos associados, cujas quotas são uma "importante receita corrente", não apresentava uma "informação contabilística fiável".
O responsável fala em "gestão imprudente". E exemplifica com a existência de 18 cartões de telemóvel, sendo que apenas seis eram usados. "Mas, mensalmente, tínhamos de pagar todos".
"Verificou-se a existência de 23 contas no banco, algumas ainda em nome de directores que já tinham saído da Associação há mais de seis anos", acrescentou Nuno Camilo, que já negociou a redução do projecto de formação, para evitar que fosse necessário devolver parte das verbas já recebidas. Considerando manifestamente impossível cumprir as 52 810 horas - seria preciso criar mais de mil turmas, explicou - a actual Direcção da Associação de Comerciantes já reduziu o projecto para metade. "E ainda vamos tentar reduzir mais", observou, ao JN, Nuno Camilo.
"As demonstrações financeiras não reflectem com razoabilidade a situação económica financeira da instituição", explicita a auditoria, que indica a "falta de formalização de diversas transacções" e a "inexistência de procedimentos instituídos e/ou praticados nos processos de aquisições". Os auditores dizem, assim, que não é possível aferir da real necessidade de algumas operações financeiras realizadas.
"Existe uma dívida à Segurança Social no valor de 1546,82 euros, que à data ainda não foi regularizada. Dado o valor ser relativamente baixo, é urgente regularizar a situação, até porque pode bloquear situações de candidaturas a incentivos e outros benefícios", aponta, ainda, a auditoria.
O ex-tesoureiro afirmou que a situação resultou de um engano na emissão das contribuições dos funcionários, mas que foi resolvida antes mesmo que a Segurança Social se apercebesse do facto.
Entretanto, o restaurante que funcionava na sede da instituição foi encerrado. Segundo Nuno Camilo, não havia licença, a cozinha não tinha condições e o concessionário já tinha deixado de pagar a renda. Aliás, acrescentou, era a Associação quem pagava as contas de água e de electricidade.
o Norte do país.
"Gestão imprudente"
Os resultados apontam para uma falta de controlo generalizada: não havia, sequer, um inventário dos bens - "numa situação limite, a perda de bens não pode ser identificada" - e o próprio registo dos associados, cujas quotas são uma "importante receita corrente", não apresentava uma "informação contabilística fiável".
O responsável fala em "gestão imprudente". E exemplifica com a existência de 18 cartões de telemóvel, sendo que apenas seis eram usados. "Mas, mensalmente, tínhamos de pagar todos".
"Verificou-se a existência de 23 contas no banco, algumas ainda em nome de directores que já tinham saído da Associação há mais de seis anos", acrescentou Nuno Camilo, que já negociou a redução do projecto de formação, para evitar que fosse necessário devolver parte das verbas já recebidas. Considerando manifestamente impossível cumprir as 52 810 horas - seria preciso criar mais de mil turmas, explicou - a actual Direcção da Associação de Comerciantes já reduziu o projecto para metade. "E ainda vamos tentar reduzir mais", observou, ao JN, Nuno Camilo.
"As demonstrações financeiras não reflectem com razoabilidade a situação económica financeira da instituição", explicita a auditoria, que indica a "falta de formalização de diversas transacções" e a "inexistência de procedimentos instituídos e/ou praticados nos processos de aquisições". Os auditores dizem, assim, que não é possível aferir da real necessidade de algumas operações financeiras realizadas.
"Existe uma dívida à Segurança Social no valor de 1546,82 euros, que à data ainda não foi regularizada. Dado o valor ser relativamente baixo, é urgente regularizar a situação, até porque pode bloquear situações de candidaturas a incentivos e outros benefícios", aponta, ainda, a auditoria.
O ex-tesoureiro afirmou que a situação resultou de um engano na emissão das contribuições dos funcionários, mas que foi resolvida antes mesmo que a Segurança Social se apercebesse do facto.
Entretanto, o restaurante que funcionava na sede da instituição foi encerrado. Segundo Nuno Camilo, não havia licença, a cozinha não tinha condições e o concessionário já tinha deixado de pagar a renda. Aliás, acrescentou, era a Associação quem pagava as contas de água e de electricidade.