A ruína de dois prédios na Rua de Miguel Bombarda, no Porto, poderá ter sido provocada por alegadas alterações no interior de um dos edifícios que se encontrava em obras. A Câmara vai notificar os donos dos imóveis contíguos para taparem as paredes laterais.
Um dos dois prédios que desabou no meio da via, ao final do dia de anteontem, estava a ser reabilitado. Ao que o JN apurou, terão sido feitas alterações às traves de sustentação dos andares, o que poderá ter determinado o desmoronamento desse edifício e do imóvel vizinho. Ao lado, outro edifício em obras, que anteontem chegou a apresentar risco de ruína, manteve-se de pé. Apesar do movimento daquela rua, conhecida pelas galerias de arte, a derrocada de anteontem não causou vítimas. Três carros ficaram debaixo dos escombros.
Depois de muitas horas de trabalhos de remoção dos destroços e de limpeza da via, a rua reabriu ao trânsito cerca das 16 horas de ontem. Um dos prédios contíguos aos que desabaram foi escorado e já não apresenta risco.
"Foram feitos trabalhos de estabilização da fachada do prédio em obra. Havia o risco de, ao retirar uma parede meeira, a fachada ruir, mas correu tudo bem. Agora garantem-me que o risco de derrocada é reduzidíssimo", afirmou Manuel Sampaio Pimentel, vereador da Protecção Civil.
O autarca acrescentou que a Câmara vai notificar os proprietários dos edifícios contíguos para impermeabilizarem as paredes laterais, que ficaram "descarnadas", e os donos dos prédios que ruíram para pagarem à Autarquia os custos de limpeza da via.
Na sequência da derrocada, o PS, citado pela Lusa, defendeu a realização de vistorias permanentes às casas devolutas, enquanto a CDU lamentou que os mecanismos usados para forçar a reabilitação de prédios degradados não tenha consequências, conduzindo ao "laxismo dos senhorios